Artigo

Muito, com pouco

Porque é que a Sidenote passou a ajudar outras empresas a pôr IA a trabalhar nas suas operações.

Alfredo Matos Alfredo Matos

Alfredo Matos

3 min de leitura

A Sidenote nasceu com uma ideia: fazer muito, com pouco.

Somos uma equipa pequena e sénior, por opção, e trabalhamos com recursos limitados, também por opção. Gostamos de trabalhar em sintonia e em problemas difíceis, e isso é mais fácil com duas pessoas do que com vinte.

Hoje temos três produtos em produção, o StandupBot, o SheetBest e o agente+, e a equipa não cresceu.

O que mudou nos últimos doze meses #

Adotámos a IA desde o primeiro dia. Mas foi nos últimos doze meses que a qualidade dos modelos deu um salto, e com ela a lista de coisas que lhes conseguimos entregar.

Para nós, esse salto tem uma data: o lançamento do Opus 4.5. A qualidade do código que saía era muito superior à do que tínhamos até então, e a partir daí passámos a delegar tarefas que antes não valia a pena delegar. Não porque o modelo tivesse aprendido a fazer algo novo, mas porque passámos a confiar no que ele fazia.

Foi também nesse período que aprendemos que há uma grande diferença entre cada pessoa usar estas ferramentas e a equipa usá-las.

Uma pessoa com um assistente fica mais rápida. Duas pessoas com dois assistentes ficam as duas mais rápidas, mas a produzir coisas diferentes.

Dois exemplos nossos. Para escrever documentos e propostas, as duas pessoas precisam das mesmas regras de formato e de tom, ou saem dois documentos diferentes com a mesma assinatura. Para planear marketing, a IA precisa dos mesmos dados e da mesma estratégia, ou cada pessoa recebe um plano coerente com uma versão diferente da empresa.

Se a versão de alguém está desatualizada, incompleta ou inconsistente com a dos outros, não se pode confiar no que sai. Garantir a coerência de dados, de processos e de sistemas exige estratégia e trabalho. Não vem com a ferramenta.

Quando esse trabalho está feito #

Quando está feito, o valor é de outra ordem. É aí que se pode dizer que a organização passou a ser nativa em IA.

O caminho, tal como o vivemos, foi este. Começa no chat, em que cada pessoa pergunta e cola a resposta. Passa às integrações, com a IA dentro das ferramentas que a equipa já usa. Depois vêm os fluxos de trabalho, em que uma sequência de passos corre sozinha e uma pessoa revê no fim.

A seguir vêm os agentes, sistemas que desempenham uma função inteira, com objetivos e limites definidos. E no fim, “colegas” virtuais, com quem a equipa conta como conta com qualquer outra pessoa. Nós ainda não chegámos ao fim desta escada.

No nosso caso, hoje, isto quer dizer que o suporte dos três produtos é triado, agrupado e respondido com rascunhos automáticos, e que nós lemos tudo o que sai. As alterações ao código são pequenas e frequentes, com revisão humana antes de cada lançamento, e as notas de versão, a documentação e as páginas de produto saem do que muda no código.

E há coisas que não automatizamos: decisões de estratégia, revisão de design e casos de suporte complexos.

O que isto vale, e porque continua a ser difícil #

Sabemos o que esta tecnologia nos tem dado. E sabemos que a maior parte das empresas podia tirar o mesmo proveito, porque não há nada de especial nos processos que automatizámos. Existem, com outros nomes, em quase todas.

Mas para quem lidera uma equipa, um departamento ou uma PME, ainda não é fácil fazer esta transformação sem ajuda. Há sempre outras coisas para tratar. A tecnologia muda de mês para mês. É preciso saber por onde começar, como juntar as peças dos vários sistemas, e como as manter a funcionar depois de o entusiasmo do primeiro mês passar.

Porque lançámos serviços #

É por isso que passámos a prestar serviços: ajudamos líderes de equipas, de departamentos e de PME em Portugal a dar este passo. Começamos sempre por um processo, e só depois chegamos à tecnologia.

Queremos pôr ao serviço de outras empresas o que aprendemos a construir e a usar estes sistemas no nosso dia a dia, e ver crescer o número de empresas em Portugal com estas capacidades.

Os fluxos que mantêm o StandupBot, o SheetBest e o agente+ a funcionar são os mesmos que construímos para clientes. E continuamos a ser dois.


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